As Crônicas do Fim – Episódio 09: “O Parasita”

by Gustavo Guilherme
Nossa única chance de escapar ilesos daquele lugar era passando pela sala macabra.
A câmara era circular de paredes escuras, contraste intenso ao restante do edifício com suas paredes alvas e limpas. O teto ogival abrigava, além das correntes de tortura, dois pares de lustres cujas poucas lâmpadas eram incapazes de iluminar bem o ambiente. O odor era insuportável, mesmo por trás da máscara.
Madalo olhava para mim e eu conseguia ouvir sua respiração ofegante. Ele levantou uma das mãos devagar, apontando-a pra frente, indicando que nossa missão era prosseguir.
Dei o primeiro passo e um dos monstros, agachado no meio da sala, rosnou. Encarei sua feição bizarra: o ser era esquelético, sua pele desprendia-se do que outrora fora um rosto e parte de seu crânio estava à mostra. Os dentes eram cinza, exceto em alguns cantos avermelhados onde ainda havia pedaços de carne humana, provavelmente restos da última refeição.
Parei, tentando não demonstrar irritação ou qualquer resposta à manifestação do Agente. Voltei meus olhos para Madalo, que ainda permanecia imóvel ao meu lado.
Experimentei o segundo passo e, desta vez, não houve rosnado, rugido ou qualquer outro som além do barulho da respiração de Madalo, era possível ouvi-lo a muitos metros de distância. Madalo não estava bem. Eu o encarei, esperando que ele me desse algum sinal, algo que me indicasse o que fazer. Mas meu parceiro não se moveu.
Endireitei-me lentamente, aplicando um terceiro passo que foi imediatamente seguido por outro monstro, um tipo um pouco mais gordo, mas igualmente devastado. Sem pele no rosto e coberto de larvas e insetos da cabeça aos pés. Músculos, gordura e esqueleto eram visíveis e, na altura do abdômen, parte de suas entranhas saíam de uma abertura mediana feita por algum ferimento grave. Este Agente, ao ver minha movimentação, moveu-se exatamente como eu. Read more
Eu quero ser inteiro denovo

O propósito de Deus para o corpo
O corpo de Adão era exatamente como o nosso; basicamente a mesma altura média, e como eu sempre digo, o nosso primeiro Pai devia ser muito bonito, pois foi feito com as próprias mãos do criador. Os prazeres ligados principalmente ao corpo, como: o sexo, a alimentação, exercício físico e outros, estavam em total disciplina e equilíbrio, não havendo qualquer desajuste fisiológico.
Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
Gênesis 1:27 Read more
Sistema

The Walking Dead S02E01 – “What Lies Ahead”

[AVISO DE SPOILERS! MUITOS SPOILERS! Se você ainda não viu o episódio de estréia da segunda temporada desta série, recomendamos que não leia este post, ou o faça por sua própria conta e risco]
Um ano se passou desde o Season Finale da primeira temporada deste seriado sobre sobrevivência, esperança e zumbis. Neste ínterim, a série sofreu baixas relevantes no orçamento, nomes outrora ligados à produção foram desligados dela e nada (a não ser alguns Webisodes arrepiantes, mas não tão impressionantes quanto deveriam) nos foi oferecido como consolo pela distância entre as temporadas.
Em “What Lies Ahead”, episódio de estréia desta segunda temporada, voltamos a acompanhar o mesmo grupo que saiu daquele acampamento em Atlanta, teve um instante de esperança antes de fugir do CDC que explodiu no último episódio e agora segue por uma rodovia. Entretanto, nossos olhos recomeçam a caminhada junto aos sobreviventes encarando o protagonista Rick em um discurso sobre fé e perseverança pelo rádio, ainda conversando com Morgan, um pai que conhecemos ainda no primeiro episódio da série, há mais de um ano atrás.
Aparentemente o grupo de sobreviventes continua unido, e em alguns momentos a naturalidade e fluidez das conversas me incomodaram, parecendo forçadas em alguns momentos, como no papo familiar sobre visitar o Gran Cannion. Mas o clima de amizade aparente entre eles dá lugar à tensão com a qual estávamos acostumados assim que o trailer de Dale quebra e o grupo precisa parar no meio de uma rodovia abarrotada de carros e defuntos. “É um cemitério” – diz Lori… E tal afirmação é o sinal, a deixa perfeita para que o clima do episódio se transforme totalmente! O grupo se divide para procurar comida, água, ou qualquer outra coisa que sirva nos carros quando, de repente, são surpreendidos por uma horda gigantesca de zumbis! Read more
As Crônicas do Fim – Episódio 08: “Labirinto”

by Gustavo Guilherme
Meu corpo exalava adrenalina enquanto meu coração ansioso dançava em ritmos frenéticos dentro do peito.
– Lazarus – Madalo me dava instruções de sobrevivência pouco antes de vestir a máscara –, ande devagar e um pouco encurvado para frente, não faça barulho e não diga nada em hipótese alguma.
A bizarra sabedoria de Madalo me intrigava, mas o tempo das indagações chegaria em breve. Concordei com ele, notando novas sensações percorrerem meu corpo.
A escassez de água, a guerra, a vida que fui forçado a deixar para trás, os mistérios de um passado longínquo, nada mais me preocupava. Já não me importava com possíveis conseqüências à nossa investida de fuga, ou com a possibilidade de falharmos em nosso plano. Tensão e medo não me amedrontavam mais. Todo o desespero e incerteza de antes se transformaram em esperança.
Em meu peito, a pequena placa: “Amitab Geradict. Matrícula 1308/2038 – Sessão Damacom, Projeto Carpe Morti” – a estranha identificação que outrora pertencera a um monstro era agora meu disfarce, meu passaporte para fora daquelas paredes.
Madalo e eu havíamos colocado os corpos desacordados dos Agentes sobre os leitos e agora caminhávamos silenciosos pelos corredores do misterioso prédio. Deixamos para trás a porta do quarto fechada, devidamente trancada com as chaves que roubamos juntamente com os uniformes.
Atrás da máscara, quando já nos esgueirávamos pelos corredores do edifício, meus olhos enxergavam paredes muito brancas. A botina que envolvia meus pés pisava firme sobre o piso igualmente alvo e surpreendentemente limpo.
Resgatei da mente as hipóteses que havia formado sobre aquele lugar. Poderíamos estar fugindo de um manicômio, de um hospital, de uma base militar ou até mesmo de alguma tribo que se formara naquele estranho lugar. Passávamos por outras portas e, às vezes, cruzávamos com outras duplas de Agentes que, por sua vez, não nos cumprimentavam, passando por nós como se não nos notassem. Um pouco corcundas, andavam obstinados, mas com lentidão. Não emitiam sons além daqueles provenientes de seus passos e da respiração difícil por trás das máscaras. Pareciam fantasmas, robôs ou… zumbis. Read more
Poderes Ocultos – Capítulo 9: Sob Controle
by Joder Filho
O ar lhe fugia dos pulmões. Sentia o medo se formar na barriga ao mesmo tempo em que a confusão se gerava no cérebro, como gêmeos malditos de um pesadelo sem fim. Piscou os olhos várias vezes na esperança de que fosse só sua visão embaçada. Inútil. Suas mãos e braços tremiam compulsivamente. Tentou novamente se pôr de pé, mas as pernas não paravam no lugar.
Afastou-se arrastando tentando fugir do reflexo na poça. Encostada numa parede do beco, Ângela sentiu vontade de chorar, mas, incrivelmente, as lagrimas não desciam. Era como se ela não soubesse mais fazer nada. Não conseguia andar ou se colocar de pé, não conseguia parar de tremer, e o mais triste de tudo, não conseguia chorar. Era o poder! Só podia ser isso. Essa era a resposta pra toda aquela insanidade que a acometia.
Larissa havia dito que ela possuía pessoas. Era seu dom. Tentou se lembrar do que acontecera antes de apagar. Lembrou-se de Larissa saindo do beco. Lembrou-se da confusão em sua mente. E, finalmente, lembrou-se de Jairo. Lembrou dele sorrindo para ela e do quanto aquilo confortara seu coração. Ele a estendeu a mão, ela o tocou e tudo ficou escuro. Agora sabia o que havia acontecido. O dom fora despertado. Ela tomara posse do corpo de Jairo como os demônios e assombrações dos filmes de terror faziam. Ela queria sair. Queria acabar com aquilo e sua mente perdida formulava perguntas mais rápido do que conseguia responder qualquer uma delas. Como sair dali? Se havia mesmo possuído Jairo, o que teria acontecido com o rapaz? Se ela estava no corpo dele, onde estaria o dela? Como reverter o processo? E se não houvesse volta?
Ainda estava aturdida com tudo aquilo quando sentiu uma presença além da sua no beco. Virou a cabeça assustada e se deparou com Larissa encarando-a com uma sobrancelha levantada, como se tentasse entender tudo aquilo. Read more
#Diferenciando 008: “Quem ama corrige, quem apenas corrige…”
por Abner Arrais
Você já se sentiu marginalizado em sua própria igreja por causa de um pensamento diferente? Suas palavras já foram distorcidas alguma vez, de forma que colocaram na sua vida pecados que não existiam, ideias que chegam a ser heresias de tão distorcidas? Fique sabendo que você não é o primeiro que passa por isso.
Durante toda a história da Igreja, vários homens foram marginalizados por terem ideias totalmente diferentes do “senso comum”. Podemos nos lembrar, por exemplo, da Inquisição que chegou ao ponto de matar todos aqueles que se levantavam contra o autoritarismo da Igreja e descobriam que a Bíblia falava muitas coisas diferentes do que a Igreja costumava praticar, eram mortos.
Jean Paul Sartre, o filósofo representante do existencialismo, era ateu. Mas recentemente descobri um trecho de um livro dele (As Palavras) que diz o seguinte:
“Eu precisei de Deus. Ele me foi dado, e eu o recebi sem compreender direito o que estava procurando. Então – porque meu coração não deixou que ele lançasse ali suas raízes, Deus terminou morrendo em mim… Hoje, quando o mencionam, eu digo – como se fosse um velho tentando reviver uma velha chama: ‘Há cinquenta anos atrás, se não houvesse um mal-entendido, se não houvesse certos equívocos, se não houvesse o acidente que terminou nos separando, nós dois teríamos um belo caso de amor’”. Read more
#TWD: Falta pouco…
Apesar de não concordar que TWD seja “a melhor série da TV”, como diz o trailer, confesso que estou ansioso para ver no que vai dar essa nova temporada. Que venha The Walking Dead Season 2!
As Crônicas do Fim – Episódio 07: “Carpe Morti”
by Gustavo Guilherme
O ácido, o corpo e a proximidade do perigo. Tudo me envolvia no caos.
Pernas trêmulas e o frio espantoso das mãos, o pulsar acelerado no peito, a velocidade da imaginação a considerar possíveis conseqüências caso falhássemos, sensações que se agitavam dentro de mim. Qual seria minha sentença caso me pegassem? Qual seria o preço a pagar pela morte do tal Homem-sem-nome? As questões me perturbaram por alguns instantes.
O sorriso ousado de Madalo, exposto em sua face pálida como se fosse uma cicatriz de seu sarcasmo, aumentava ainda mais minha preocupação. O simples som da palavra “improvisar”, pronunciada por ele há poucos minutos, me causara arrepios. Entretanto, a esperança de fugir dali e descobrir o que realmente estava acontecendo me tranqüilizava aos poucos.
Observei mais uma vez o que ainda sobrava dos restos apodrecidos de minha vítima sem nome, cacos de vidro misturados a pedaços queimados de tecido humano e muito sangue. O odor da morte é enlouquecedor e ainda mais terrível quando envolve ácido e carne humana. Minha cabeça doía, e a culpa era daquele maldito fedor.
– Preparado, Lazarus? – a voz de Madalo parecia divertida e a feição de seu rosto era como a de um caçador que se prepara para agarrar a caça, matá-la com as próprias mãos e, assim que for conveniente, comê-la.
Não respondi a pergunta. Simplesmente o encarei, olho no olho. E então houve um breve e tenebroso silêncio. Pude ouvir minha respiração e, com ela, a quietude que precede a batalha.
Madalo caminhou calado e se posicionou próximo à porta, ficaria atrás de nossos alvos assim que ela se fechasse. Eu o acompanhei.
– Assim que a porta se abrir e o primeiro Agente entrar, eu o atacarei. – sussurrou Madalo – Enquanto isso, você cuida do segundo homem… Mas não se esqueça de fechar a porta.
– E se forem mais de dois, Madalo? – perguntei.
– Serão dois.
Sua certeza não me confortava. Pelo contrário, me intrigava. Como ele poderia estar tão certo que apenas dois homens entrariam na sala? Por que os chamava de Agentes? Por que parecia estar tão confortável naquela situação de risco? Apesar das dúvidas, aquele não era o melhor momento para saná-las.
E então, quando novas questões eram levantadas em minha mente, a porta se abriu devagar.
Madalo esperou paciente até que o primeiro Agente se afastasse um pouco da porta e o atacou, agarrando-o pelo pescoço com uma chave de braço. O Agente, porém, usou o peso de seu próprio corpo em seu favor, inclinando-se contra Madalo, levando ambos ao chão. Poucos segundos depois, meu alvo entrava no quarto.
Ambos Agentes usavam roupas brancas e longas como as de um enfermeiro; calçavam botinas igualmente alvas e, estranhamente, vestiam máscaras de gás avermelhadas que encobriam seus rostos. Das mãos do primeiro homem, um molho de chaves voou para debaixo de um dos leitos assim que este fora atacado por meu parceiro.
Assim que notou a investida de Madalo, o segundo Agente tentou escapar, mas consegui segurá-lo a tempo, agarrando-me à sua roupa e arremessando-o violentamente contra a porta, que se fechou com violência. Meu rival estava no chão, mas ainda não me parecia inconsciente. Com fúria, ergui o segundo Agente pelos braços e pressionei seu corpo contra a parede, apertando seu pescoço com minha destra.
Naquele momento, uma constatação me surpreendeu. Algo em mim se transformara por completo. A brutalidade de meus golpes não me assustava, até me sentia confortável com a agressividade da cena que se formava diante de meus olhos. Meu coração, outrora acelerado e aflito, batia cadenciado e calmo. A tremedeira de minhas pernas dera lugar à firmeza dos ossos e a respiração débil era agora uma seqüência de longos e tranqüilos suspiros. Em contrapartida, minhas mãos se fechavam com imensa fúria ao redor do pescoço de meu adversário que, a essa altura do embate, já não se defendia.
Mesmo sem saber dizer o motivo, eu me sentia bem. Contemplar a agonia da vítima aprisionada em meu golpe certeiro me causava júbilo. Mas, apesar da satisfação que me contagiava, tinha a sensação de estar sendo dominado por outro alguém, um Lazarus diferente. Outro eu. Um parasita. E se não fosse a interferência imediata de Madalo que, tendo cumprido sua parte do plano, apareceu para acalmar meu ímpeto assassino, teria matado aquele homem. E, se isso tivesse acontecido, o tal Agente teria sido minha segunda vítima mortal em menos de uma hora. Read more

























