#ACdF: Aviso de adiamento – ATUALIZADO

Desculpem o transtorno.

Sei que um novo episódio de “As Crônicas do Fim” estava programado para ir ao ar hoje, mas infelizmente teremos que adiar para amanhã. As coisas estão corridas e a vida, atarefada.

Amanhã à tarde, sem mais adiamentos, episódio 7 de #ACdF aqui no T-7!

@gustavogui

 

UPDATE

Buenas, gurizada!

O novo episódio está pronto, mas ainda precisa de revisão. E, como hoje é sábado, dia de relaxar e curtir a família, é inevitável que adiemos a publicação para segunda-feira. Mas não se preocupem, o atraso será compensado (vão reconhecer isso – ou não – assim que virem o tamanho do capítulo que está por vir – rsrs). Mais uma vez, desculpem o transtorno.

Carpe Morti!

As Crônicas do Fim – Episódio 06: “Plano de Fuga”

by Gustavo Guilherme

Madalo me encarava sorridente enquanto o corpo do Homem-sem-nome derretia aos poucos bem diante de nossos olhos.

– Parabéns… – seu sorriso se desfez como um vulto – …imbecil.

– Como é? – ainda sentia o peito batucar acelerado e a respiração falhar – Você me chamou de…

Madalo completou minha indagação.

– Imbecil!

Apesar de tecer respostas em minha mente, meus lábios nada disseram. Os olhos de Madalo, que há poucos segundos me aplaudia, aparentemente feliz ou satisfeito, agora eram severos, sisudos, e me fitavam com alguma ansiedade que, em alguns instantes, eu passaria a conhecer.

Madalo agora andava em volta de si mesmo.

– Em poucos minutos esta sala estará cheia de Agentes – a expressão me fez soluçar – Virão depressa para a ronda diária. Quando entrarem por aquela porta, encontrarão um homem morto e podre no chão e, provavelmente, tentarão dar um jeito em você… e em mim também, é claro.

Ele parou por alguns segundos, olhando o vazio. Sussurrou pensamentos, gesticulando-os no ar. O rosto pálido em contraste ao vermelho da barba e dos cabelos dava a Madalo a aparência de juventude, mas sua voz era calma como a de um sábio. Ele parou de repente e um novo sorriso rasgou-lhe a face devagar. Ele deu dois passos silenciosos em minha direção e pude ver algum tipo besta de esperança em seus olhos.

– É nossa chance.

– Nossa chance de que? – indaguei.

– Fugir, seu imbecil. Cair fora, nos mandar desse inferno. Read more

Criatura amarga

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Fonte: Vida Besta

O diabo que se apaixonou por Deus

por Paulo Brabo

Certo diabo apaixonou-se por Deus sem nunca tê-lo visto. Depois de preparar-se por longo tempo, e com a ajuda de um informante, conseguiu infiltrar-se no complexo celeste e foi comprando com subornos, nível após nível, a vasta hierarquia de segurança que o separava da presença divina. Esse trajeto demorou muitos anos.

Naquela tarde o diabo molhou a mão do penúltimo intermediário e adentrou a ante-sala do trono por uma portinha lateral de serviço, junto da qual o esperava um anjo de cavanhaque e costas muito largas.

– Entre de uma vez – ordenou o anjo, e fechou a porta logo em seguida. A vinte passos deles, alto como uma montanha, dormia em sua cadeira o guardião da sala do trono.

Sem qualquer outro intercâmbio eles transpuseram o espaço até junto da porta da proposição, que está sempre fechada e cujas folhas esculpidas em madeira e revestidas de ouro têm cento e quarenta e quatro mil anos-luz de altura.

– Então – disse o anjo, quando estacaram diante da porta e avaliaram-se pela primeira e pela última vez – é você o diabo que apaixonou-se por Deus e vem procurando uma oportunidade de encontrar-se com ele.

– Apenas me poupe desse ar de superioridade moral – respondeu o diabo, ignorando a pergunta. – porque você sabe muito bem que somos muito parecidos. Nós no inferno odiamos tanto o pecado quanto vocês deste lado do abismo. Se estivesse prestando atenção, perceberia que são só os pecadores, os apóstatas e réprobos que nós atormentamos. Só os pecadores podem ser tentados, e só eles conhecerão a aflição da nossa miséria e do nosso desespero. Os santos, os valorosos e puros despertam apenas nossa admiração; nesses não ousaríamos tocar.

– Ou talvez seja nisso que você quer que eu acredite.

– Acredite no que quiser – pediu o diabo. – Apenas saiba, porque não tenho outra a pessoa a quem dizer, que foi justamente esse amor pela integridade e esse desprezo pela corrupção que fizeram com que eu me apaixonasse pela imagem divina.

O anjo deu de ombros e empurrou a porta, que era tão pesada e vasta que foram necessários mil anos para abrir uma fresta pela qual o diabo pudesse passar. A porta rangeu formidavelmente, mas o guardião em sua cadeira não se moveu nem despertou. Read more

Qual o sentido de fazer e ler literatura hoje?

por Ítalo Meneghetti

Nos diversos lugares aonde vou, sempre encontro alguém disposto a me perguntar se existe algum sentido para a literatura no mundo contemporâneo. Confesso que a resposta é, a um só tempo, óbvia e complexa. Explico. A força do pensamento literário é inegável em qualquer tempo e lugar. Por isso, óbvia a resposta. Porém, a literatura se constrói da substância mais abstrata do pensamento humano e, portanto, num mundo cada vez mais materialista, sem ideais nem sonhos, no qual o imediatismo tem sido a marca mais consumida e consumada das sociedades, pode ser que a literatura esteja fora de lugar e tempo. Vejamos.

Todos sabemos que o ato da leitura literária é sempre uma viagem. Mais ainda: que escrever literatura é verdadeira ousadia e desafio. Que o digam os escritores de carreira. Afirmam os neurolinguistas que a escrita literária mobiliza toda a nossa capacidade neuronial, bem mais do que indecifráveis equações matemáticas ou mirabolantes jogadas de xadrez. O texto literário por escrever é a requisição cerebral em toda a sua complexidade, verdadeiro exercício de comunicação entre neurônios, algazarra de sinapses em nossa massa cinzenta.

Se a leitura do texto literário é sempre um acontecimento especial em nossas vidas e que pode ser, definitivamente, marcante e transformador, imaginem o que a escrita do texto literário deve ser na vida de alguém?

Verdadeiro impacto, a escrita do texto literário desloca a pessoa para dimensões impensáveis de si mesma. A remete a lugares da alma nunca antes sondados. Atiça o espírito no rastro da luz, ainda que o texto só “fale” de trevas (humanas), como em Charles Bukowski, Plínio Marcos e Nelson Rodrigues, por exemplo. Afinal, literatura não é religião e nem se pretende, no sentido institucional e formatador de pessoas. E espírito é bem mais termo para expressar a potência da mente humana diante do enigma da existência do que conceito dogmático de falaciosos discursos sobre quem somos em nome de uma noção de Deus e todo o assédio e sanha financeira e política que isso pode gerar. Read more

Curta-Metragem: “Inside”

Excelente!

As Crônicas do Fim – Episódio 05: “A Testemunha”

by Gustavo Guilherme

Na imagem refletida no espelho, o homem apertava meu pescoço com uma chave de braço.

Durante os últimos minutos antes da agressão, minha mente se aplicara a criar teorias relacionadas àquele lugar. Imaginava outros tempos, relembrando a velha Minos e associando aquele local onde despertara com o antigo hospital da cidade – esta hipótese era a mais provável. Considerava também a possibilidade de não estar mais em Minos, de ter sido resgatado por alguma tribo ou, talvez, ser vítima de algum seqüestro. Talvez algum líder precisasse de novos escravos para manter sua cidade-governo funcionando, para sustentar seu pequeno reino particular. Ou talvez algum exército, na ânsia cega de vencer a guerra, tivesse me raptado para me transformar em soldado.

Meu pensamento tecia novas teorias e imaginava novas possibilidades quando o homem me atacou.

Assustado, tentei fugir do golpe. O homem, porém, apertou ainda mais a arma dos braços ao redor de meu pescoço, e seu rosto adotou um tom avermelhado, raivoso. No espelho, somente parte de sua face era visível. Meneei a cabeça e experimentei cotoveladas em seu estômago, mas ele pareceu não sentir nada. Enquanto me movimentava loucamente, sua investida inabalável começava a me enfraquecer. Minha garganta começou a doer. Sem muitas opções, decidi tentar uma nova defesa. Com a força que ainda me restava, acertei uma primeira cabeçada em seu queixo e o homem tremeu, emitindo um estranho gemido. Investi o segundo golpe e, desta vez, o Homem-sem-nome afrouxou a chave de braço, me empurrando com força contra o espelho.

Uma tosse grave e rouca fugiu de meus lábios. Read more

Crítico Literário

Fonte

Curta-Metragem: “The Raven”

Curta metragem independente. Custou apenas 5 mil dólares. Curtiu?

As Crônicas do Fim – Episódio 04: “O Selo”

by Gustavo Guilherme

A grande escassez faz suas vítimas. Mas ainda há quem tire proveito do caos.

Além de centralizar o poder em metrópoles dominadas pelo governo, a falta de água trouxe à tona algumas doenças e floresceu ainda mais a crueldade dos homens que, em busca de sobrevivência, se tornaram capazes de cometer quaisquer atrocidades e se submeter a situações absurdas em troca de água potável, comida e segurança, mesmo que falsa. Estes mesmos homens acabaram se tornando escravos de seus líderes políticos. Senhores das terras ainda férteis, os governantes submetem o povo a barbáries indescritíveis, escravizaram famílias inteiras, tomaram filhas e filhos da plebe como amantes, capangas ou serviçais de suas mansões.

Não há esperança longe das tribos. Além dos esconderijos, não há humanidade. Ironicamente, onde ainda há água e alimento saudáveis, não existe alegria.

A nossa atmosfera tornou-se densa e respirar é quase sempre um sacrifício, por isso, o índice de câncer de pele subiu vertiginosamente nos últimos seis anos – os mais quentes que esta terra já conheceu. Sem hortaliças, vegetais e frutas à disposição da população comum, o que mais se vê entre os refugiados das tribos são pessoas doentes, moribundas e desesperadas. Os mais afetados pelo calor são as crianças e os idosos. Os velhos, pela fraqueza da idade, morrem rápido. Os pequeninos, entretanto, são naturalmente mais resistentes, demoram a morrer. Na esperança de viver, abraçam a dor como se esta fosse uma velha amiga.

Nas cidades-governo, a população recebe uma porção diária de comida e água, mas ali já não há motivos para lutar por sobrevivência. Todos os dias, tais cidades adormecem cobertas de dezenas de novos defuntos, e acordam com uma nova centena de vítimas das doenças de nossos tempos. Por isso, as tribos se tornaram local de caça. Governantes enviam seus homens para capturar e escravizar fugitivos ou até mesmo sequestrar tribos inteiras, quando possível, só para preencher as vagas deixadas por seus mortos.

Ouvi histórias terríveis sobre a Nova Manipulação – este é o nome que as tribos deram a administração deste governo cruel. Quero acreditar que a maioria delas não passa de fábulas tenebrosas sobre torturas físicas e psicológicas, crimes bárbaros e regimes desumanos de liderança forçada.

Uma visão me atormenta todas as noites. Um sonho que me faz despertar suado e geralmente aos berros: uma menina de aproximadamente seis anos de idade, coberta de sangue e sem uma parte dos membros inferiores. Ela se arrasta pelo chão e me pede socorro. Ela me implora piedade e pede que eu a salve do sofrimento. Ela quer que eu a mate.

Atordoado, despertei. Read more

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