Literatura: como proteger seu filho dessa droga

Prezada senhora,

Obrigado por sua consulta. Nossa experiência de reabilitação de centenas de pacientes, quase todos afligidos por sintomas idênticos aos que a senhora descreve em seu e-mail, nos permite assegurar que seu filho estará inteiramente curado em apenas uma semana, caso a senhora opte por contratar nossos inovadores serviços.

Na jornada rumo à meta de todos os pais dignos desse nome, uma vida saudável e produtiva para seus filhos, a senhora já deu o passo mais importante: identificar o problema no nascedouro e evitar a ilusão confortável de que tudo não passará de uma paixão adolescente fugaz.

A espiral do vício, minha senhora, é implacável: dos suspiros pelos cantos, sempre cercada de livros, a vítima passa em 72,7% dos casos à fase que chamamos de “projeção ativa”, arriscando então seus próprios escritos, seduzida pela miragem de pertencer a esse mundo imaginário de beleza e sensibilidade que os ingênuos conhecem por literatura. Read more

O Teatro Mágico – Amanhã…Será?

Se aliança dissipar
e sentença for só desamor!
a tormenta aumentará!
Quando uma comunidade viva!
Insurrece o valor da Paz,
endurecendo ternamente!

Todo bit, byte, e tera..
será força bruta a navegar,
será nossa herança em terra!

Amanhecerá!
De novo em nós!
Amanhã, será?

Amanhecerá!
De novo em nós!
Amanhã, será?

O “post” é voz que vos libertará.
Descendentes tantos insurgirão.
A arma, o réu, o véu que cairá.
Cravos e Tulipas bombardeiam,
um jardim novo se levantará.
O Jasmim urge do solo sem medo.

O sol reclama no Oriente.
Brada a lua que ilumina.
Rebelando orações e mentes.

Amanhecerá!
De novo em nós!
Amanhã, será?

-

Composição: Daniel Santiago / Fernando Anitelli / Gustavo Anitelli

Poderes Ocultos – Capítulo 8: Empatia

by Joder Filho

Susana estava cada vez mais animada com o que via. Diogo acabara de liberar uma descarga potente de energia elétrica no chão que, incrivelmente, não machucou nenhum deles, a não ser o próprio rapaz que foi arremessado longe com o coice do disparo. Felizmente, não quebrou nada e não se feriu muito. Só alguns arranhões e o braço que ainda doía.

Como Augusto explicara, o poder de Diogo era manifestado em forma de energia elétrica. Curiosamente, era manipulado pelas emoções do rapaz.

– Como você não queria machucar nenhum de nós – Augusto explicou enquanto ele se recuperava – você não o fez. É como se o raio obedecesse ao seu instinto e à sua vontade. Assim que aprender a focá-lo e controlar o nível de energia liberado, você será formidável, meu rapaz. Formidável. – repetiu empolgado.

– Como você sabe tudo isso? – ele tentava se colocar em pé.

– Deus, meu filho. Deus! Ele me mostra tudo o que preciso saber sobre vocês. – ele apoiou o braço de Diogo em seu ombro e foram para um banco no canto – Acredito que esse seja meu dom. Descobrir o de vocês. Além de outras coisas menores.

– Enquanto ele tá nessa – Arnaldo se intrometeu – tem como mostrar o nosso? – perguntou apontando para si mesmo e para Susana alternadamente. Read more

Coming Soon…

Quem acompanha o blog há pelo menos um ano saberá muito bem o que este vídeo significa… =)

As Crônicas do Fim – Episódio 02: “Lazarus” (Parte 2)

by Gustavo Guilherme

Recordo-me vagamente de algumas histórias fantásticas que costumava ouvir quando criança. Eram contos sobre heróis audaciosos que pelejavam a favor de seus ideais, mesmo que isso lhes custasse, no fim, a vida. Geralmente, tais enredos se passavam em “mundos esquecidos pelos deuses” e, inúmeras vezes, tinham finais felizes. Nós, entretanto, não temos heróis. Nosso mundo foi esquecido, mas não por algum deus irado e ciumento. Nossa terra foi abandonada por nós mesmos. Somos seus guardiões e, também, seus executores.

A escassez de água potável na Terra foi responsabilidade nossa. Poluímos tudo que podíamos. Em busca de riquezas naturais que satisfizessem as nossas necessidades fúteis, destruímos a maior delas. A água tornou-se impura na maior parte do planeta e o mundo adoeceu. Hoje, o único lugar onde se pode encontrar “água saudável” é nas cidades que foram ocupadas pelo governo, que agora tem nas mãos as respostas para todas as enfermidades sociais, econômicas e políticas da Terra.

***

Em poucas horas, meus pés reencontraram Minos. Atravessei o portal de entrada da cidade depois de ler a placa de boas-vindas, ironicamente intacta.

Em outros tempos, Minos estaria repleta de crianças sorridentes a correr pelas ruas. Seus pais, atenciosos e educados, provavelmente estariam por perto, cuidando de seus filhos com cautela e dedicação. Os becos mais sombrios da velha cidade estariam devidamente iluminados, as ruelas limpas e as calçadas cheias de gente. Minos era um dos lugares mais venerados do continente. A bela praia, ponto turístico da cidade, vivia cheia de surfistas e gente de toda a parte. Os prédios eram altos e quase sempre rústicos em algum aspecto. As casas tinham o formato padrão de toda grande metrópole pertencente ao conglomerado de cidades que chamamos de Ancor, eram quase todas grandes mansões cobertas por telhados coloridos e pintadas por fora de um azul claríssimo. Por dentro, as mansões eram mais comuns do que se podia imaginar: dois quartos, cozinha, dois banheiros, sala de estar e um quintal geralmente grande o suficiente para dar festas e reunir amigos nos fins de semana.

Minos era ímpar! E as famílias que ali moravam não seriam capazes de imaginar a bela cidade convertida em desgraça, poeira e destruição, como meus olhos constatavam agora. A plenitude urbana, sinônimo de organização e conforto, era agora o perigeu das metrópoles, a vergonha de Ancor. Read more

Curta-Metragem: “Cardboard Warfare”


Sensacional!

#Resenhando 001: “A Romana”

por Thaís Lira

Sou apaixonada por autores que sabem tocar as pessoas no fundo da alma. Mas essa paixão fica ainda mais intensa quando tais autores conseguem provocar comichões e irritabilidades a ponto de provocar mudanças drásticas na forma que agimos e pensamos naquele mesmo instante em que lemos um trecho qualquer de suas obras. Foi assim que me senti ao ler “A Romana”, obra da série “Os imortais – Literatura Universal”.

O autor em questão é Alberto Moravia, ou Alberto Pincherle, como preferir. Além de ser escritor, Moravia era um grande Jornalista Italiano. E foi através desse lado jornalístico que o encontrei como autor.

Pesquisando um pouco sobre a história de Moravia, descobri que ele foi vítima de tuberculose e, por isso, foi obrigado a passar metade de sua infância sob supervisão intensiva de seus pais. Como é mencionado em sua biografia, ele “teve que passar uma significativa parte de sua infância e adolescência em convalescência” e, com isso, foi prejudicado nos estudos. Mas se você quiser saber um pouco mais sobre ele, basta dar uma pesquisada básica que encontrará muitas informações. Hoje, não é exatamente sobre ele que quero falar.

Agora que já apresentei o autor, devo apresentar a obra. Read more

Mensagem ao meu amor…

Clique na imagem para ampliar:

Fonte: Vida Besta

As Crônicas do Fim – Episódio 01: “Lazarus” (Parte 1)

by Gustavo Guilherme

Fugi de uma tribo há alguns meses. Eles já não tinham meios de sustentar tanta gente que os procurava em busca de socorro. Numa noite fria, abandonei meu posto de sentinela do portal de entrada de um pequeno vale a oeste da capital Millem e parti para o sul em busca de, talvez, um novo refúgio.

Em minha jornada de fuga e solidão, caminhei por um mês debaixo do sol sem avistar esperanças no horizonte. Descobrir uma possível razão de ainda estar vivo pode parecer tolo, mas é o que me move. Chame de fé, tolice ou suicídio, mas ainda tenho esperanças de que o mundo poderá um dia voltar a ser como antes… Antes do pandemônio causado pelas devastações da guerra… Antes das inúmeras doenças causadas pela escassez de água… Antes do caos.

Por algum motivo que, confesso, não sei explicar, não consigo me manter por mais de um ano em alguma tribo. Alguma força me move a procurar respostas, caminhos alternativos para viver em paz. E, nesta jornada aparentemente infame, perdi amigos, família e a antiga alegria.

Minha esperança é um silêncio pungente. Read more

As Crônicas do Fim – Prefácio: “Água, Guerra e Solidão”

Se houvesse alguma possibilidade de enviar uma carta através do tempo, alertando antepassados, denunciando de algum modo os caminhos errôneos que nos trouxeram o caos, eu o faria. Escreveria quantas letras fossem necessárias só para dizer a humanidade de outrora – a mesma que um dia sonhou com a possibilidade de viver em paz – que o futuro não é promissor.

Há exatos vinte anos, as pessoas começaram a fugir de suas casas com medo da guerra iminente. A água potável da Terra, cada vez mais escassa, era o motivo de diálogos intensos e assustadores entre líderes de governos. Organizações internacionais tentaram por décadas impedir o embate entre as nações e planejaram em vão idéias e projetos político-sociais para que a pouca água que ainda restava fosse compartilhada entre os países de maneira justa.

Nada funcionou.

Enquanto líderes do mundo todo discutiam formas de manter a paz, os povos de cada país envolvido abriam mão do conforto de seus lares para irem, por si mesmos, em busca de abrigo, paz e água. A urgência da guerra era inegável. A noção de comunidade e o velho conceito de hierarquia e liderança, no entanto, não abandonaram os corações dos homens e eles, por segurança, criaram grupos de fuga, aos quais deram o nome de “tribos”.

Inicialmente, estes grupos se refugiavam no alto dos montes ou na escuridão dos vales. Porém, com o advento da guerra que estourou anos depois, algumas tribos migraram para ruínas de cidades destruídas e abandonadas pelas tropas locais. Cidadelas ou metrópoles, o mundo foi reduzido a um grande deserto de destroços, poeira, sangue e caos. Por causa das bombas, ataques de armas químicas e atentados atômicos, só restou destruição.

Desde 2054, há treze anos, não se ouve falar em trégua.

A guerra é constante e não deve acabar tão cedo.

-

Fantasia, fim do mundo, guerras e muito mistério. Estes são os ingrediente de “As Crônicas do Fim”, história que contarei aqui, com episódios semanais. Tais crônicas já haviam começado em outro blog, mas foram reformuladas e têm aqui o seu recomeço! Excepcionalmente, publicarei o primeiro episódio ainda hoje. Espero que gostem.

Ass.: Gustavo Guilherme, o autor.

  • Page 1 of 2
  • 1
  • 2
  • >