Irmãos
Um conto de Gustavo Guilherme
“A razão vos é dada para discernir o bem do mal.”
Dante Alighieri
Assim que os vi naquela manhã, dei a eles nomes ordinários em minha mente fértil. E o fiz por não saber, na verdade, qual a alcunha real daqueles seres.
Batizei-os em silêncio de Bem e Mal. Também os imaginei crescer com tal educação: um antagonista do outro, não podendo, em hipótese alguma e jamais, conviver em harmonia. Não existiriam nunca quaisquer possibilidades de alguma sociedade entre eles. Um era vilão, o outro era mocinho. Um vestiria sempre o azul; outro, cinza. Estavam destinados a odiarem-se mortalmente para sempre.
Era sexta-feira quando decidi comprar mantimentos para casa quando, por acaso, dei de cara com a peleja. Bem e Mal se enfrentavam ferrenhamente no beco ao lado do Supermercado.
A violência que meus olhos enxergavam era louca, insaciável, incansável. Estaquei mudo, deixando as sacolas cheias de alimento caírem na calçada.
O Bem avançava contra seu oponente com absoluta ingenuidade e, em troca, recebia golpes certeiros na cabeça. Vestia-se como um príncipe, em azul, tecido raro. O Mal, coberto em panos banais e de cor acinzentada, investia pancadas agressivas no peito e no rosto do Bem sem dar tréguas, arrancando-lhe a vida aos poucos.
Eu, petrificado, observava calado a luta espantosa. Socos, pontapés, mordidas, palavras de ofensa, cuspidelas e hostilidade – tudo aquilo me parecia um espetáculo de gosto duvidoso, um circo de horrores cruel e fatal.
O Mal, infatigável, desviava-se facilmente das empreitadas previsíveis de seu inofensivo opositor. A batalha era covarde, Mal sempre fora o mais forte. Read more
L’Amour!
por Giovani Júnior
Prefiro me tornar indiferente (leia-se insensível) quanto a me deixar levar por essas “modinhas” e “ondinhas”. Isso pode até parecer loucura pra você, mas a mínima possibilidade de desonrar o meu Deus e de perder a pessoa que Ele tem preparado pra mim por uma simples paixonite já me deixa apreensivo. Amar é o verbo mais complicado de ser conjugado e nunca deve ser confundido com o verbo gostar.
Mas nesse momento eu não irei falar do amor fraternal, aquele que sinto pelos meus amigos e familiares – desse amor eu não abriria mão nunca –, eu vou falar do amor que dá origem ao romance, àquele friozinho na barriga e que te faz rir sozinho e sonhar acordado. Read more
Homofobia? Fiéis correm de veado em igreja americana
Quem fui o troll que postou isso aqui? E com esse título? =P
Poderes Ocultos – Capítulo 6: Descobertas

por Joder Filho
Jairo não podia acreditar. Na verdade não sabia se não podia ou se não queria, mas no momento não fazia a menor diferença. O que estava prestes a fazer era pura loucura. Tentou botar a cabeça no lugar pela enésima vez. Na tarde do dia anterior, teve a visão; à noite, constatou que era real; e agora, pra seu desespero, já era de manhã cedo e ele estava se preparando para invadir um hospital psiquiátrico. Larissa se comprometeu a revelar os dons dele e de Ângela se eles se dispusessem a resgatar um último integrante. Esse, de acordo com ela, era um teste. “Não faz sentido!” ele protestava em meio aos pensamentos e dúvidas que dançavam numa ciranda psicodélica em sua cabeça. “Se esse deus dá os dons e sabe de tudo, porque precisa de um teste?” Teve receio de verbalizar tais palavras. Já lidara com crentes antes e Larissa era uma, ou pelo menos parecia uma. E a resposta seria a de sempre: “Deus sabe o que faz.” Se remexeu no banco da frente do carro mais uma vez. Ângela, que cochilava no banco de trás, fez menção de que iria acordar, mas simplesmente virou o corpo e voltou a dormir. Jairo reparou nela pelo retrovisor. Era de fato linda, embora não se arrumasse. Não passava muita maquiagem, nem escolhia roupas da moda. Se resolvesse se arrumar um pouquinho mais, seria de fato um mulherão.
Uma batida de leve no vidro o assustou e arrastou-o de volta para a manhã fria. Larissa fez sinal para que ele destravasse a porta para entrar. Ele puxou a trava do seu lado e a outra porta se destrancou. Larissa entrou junto com uma lufada do frio matinal. Sentou-se esfregando os braços e já foi despejando as notícias:
– É não vai ser fácil – ela disse olhando para o edifício de onde acabara de sair. – A segurança dos caras é profissional. Dois guardas por corredor. Sem contar que… – ela se virou pra dizer, mas não completou a frase. Ao invés disso, deu um meio sorriso e ficou encarando Jairo. Read more
Utilidade Pública: Abono Salarial
Para receber o abono, você precisa atender às condições abaixo:
• Ter trabalhado com carteira assinada durante
pelo menos 30 dias em 2009.
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2 salários mínimos médios.
• Estar cadastrado há pelo menos 5 anos no PIS/PASEP.
Corre que é só até dia 30/junho. Saiba mais aqui.
#Microcontos: “Negócio de Fé”

Negócio de Fé
Encontrou a fonte. Tinha nas mãos as respostas para todos os males da humanidade. Agora, só faltava estipular os preços…
#Microcontos: “Labor Diário”

Labor Diário
Morria todos os dias para sobreviver.
#Microcontos: “Engano”

Engano
Achou que encontraria a alegria definitiva entre as paredes concretas da religião. Triste engano. Nos olhos dos correligionários, só a mesma rigidez dos muros.
#Microcontos: “Anúncio”

Anúncio
Nos classificados: Aluga-se coração desiludido.
#Microcontos: “Última Chance”

Última Chance
Naquela noite pediria perdão. Redimir-se-ia do erro e voltaria a falar com o pai depois de oito anos de silêncio. Chegou ao hospital atrasado, o velho falecera há poucos minutos.

























