Uma Outra Reforma – A Revolução Esquecida
por Humberto Ramos
Não raros estudiosos perceberam um certo caráter anárquico na fé cristã. Amiúde, muitos marxistas tentaram tachar Jesus como sendo o precursor do pensamento comunista – rejeitando, no entanto, sua divindade.
De fato, a postura social adotada por Cristo e seus discípulos, marcada por um total despojamento das coisas materiais, e o conceito de hierarquia ensinado por ele chamam a nossa atenção.
Os relatos de Lucas, no livro de Atos dos Apóstolos, revelam que os primeiros cristãos tinham tudo em comum, vendiam seus bens e repartiam com os mais necessitados e os próprios discípulos não são tratados como liderança a partir da perspectiva atual. Aliás, a palavra líder, tão corriqueira no mundo corporativo e também nas igrejas, não é notada nem nos Evangelhos nem nas Epístolas Apostólicas.
Entrementes, os séculos se passaram e as igrejas hodiernas não se assemelham (nem de longe) com o anarquismo nem tampouco com o comunismo. Ao contrário, líderes governam a partir de pequenos impérios e o ethos capitalista dita o ritmo da vida comunitária entre os cristãos.
Para resistir aos rótulos, é importante afirmar que de fato Jesus não tinha ligação nenhuma com as duas linhas ideológicas aqui mencionadas, ele anunciou e viveu algo muito maior: o Reino de Deus!
A respeito da hierarquia do Reino, ele mesmo deixou claro que:
“Vós, porém, não queirais ser chamados mestres, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos. E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus. Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo. O maior dentre vós será vosso servo.” (Mt 23. 8-11)
Uma interpretação errônea do que o escritor sagrado diz a respeito dos dons na igreja teria justificado a instituição de cargos eclesiásticos, a partir dos quais pessoas lideram outras pessoas nas comunidades de fé. Quando se diz que “ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo” (Ef 4. 11-12), não se está legitimando aqui poder ou autoridade a qualquer pessoa, tida como especial, a fim de que domine sobre os irmãos.
A respeito de qualquer dom mencionado no Novo Testamento, é importante reconhecer que se tratam de funções a serem exercidas, tarefas, responsabilidades e não cargos a serem ocupados. Essa compreensão do que de fato dizem as cartas apostólicas serve tanto para contrapor àqueles que se valem de interpretações manipuladoras a fim de se tornarem líderes supremos entre os cristãos, quanto àqueles que alegam que os discípulos (principalmente Paulo) teriam deturpado os ensinamentos de Jesus. Obviamente, nem uma coisa nem outra!
No que tange à administração de bens materiais, não vemos Jesus legislando de forma rigorosa acerca do tema. Pode-se dizer apenas que, por haver amor verdadeiro e sincero, os cristãos se sentiram comovidos a doar e partilhar aquilo que possuíam. Assim, os necessitados dentre os irmãos tiveram suas necessidades satisfeitas. Foi algo totalmente livre, gerado pelo constrangimento vindo do próprio Espírito Santo.
Ao contrário do comunismo, que se instalaria pela ditadura do proletariado, a mordomia cristã se concretiza pelo quebrantamento da comunidade de fé diante dos mais carentes.
Diante disso tudo, é curioso olhar para as igrejas e verificar um sem-número de práticas e dogmas absolutamente estranhos à mensagem do Evangelho. A divisão clero-laicado, a sacralização do local de culto (chamando-o erroneamente de casa de Deus), a exigibilidade do dízimo como garantia de saúde financeira, entre outras coisas mais, não comungam com o pensamento e práxis dos crentes da igreja primitiva.
Daí fica a pergunta: e se levássemos a mensagem e a vida de Jesus a sério, como estariam as igrejas?
Fonte: Subir Quadrado, blog do nosso amigo quadrado (e integrante deste blog quadrado) Diego Quadrado… digo, Diego Ruas. =P
A Essência do Cristianismo
por John M. Frame (Traduzido por Rafael Bello)
Essência é a qualidade pela qual algo é definido, essa qualidade que faz algo se distinguir de outras coisas. Tri-lateralidade é uma característica essencial de um triângulo. Uma figura pode ser curta, longa, grande, pequena, mesmo em frente e verso ou lados irregulares, não importa, com ou sem qualquer uma dessas qualidades ainda será um triângulo. Mas tire suas tri-lateralidade, e de repente já não é um triângulo, tornou-se algo mais.
Agora, muitos têm procurado descobrir a “essência” do cristianismo, o que torna o cristianismo o que é, aquilo sem o qual seria outra coisa. Livros foram escritos (como por Feuerbach e Harnack), intitulados com: A essência do cristianismo. E muitos teólogos, embora escrevendo livros com outros nomes, têm procurado, com efeito, se não em tantas palavras, identificar a essência. A grande variedade das sugestões, no entanto, põe em dúvida ore o projeto. Qual é a essência? A moral (Kant)? O sentimento religioso (Schleiermacher)? Dialética filosófica (Hegel)? Realização de desejo (Feuerbach)? A paternidade de Deus (Harnack)? Palavra de Deus (Barth)? O encontro pessoal (Brunner, Buber)? Atos de Deus (Wright)? A auto-negação do ser (Tillich)? Auto-compreensão existencial (Bultmann)? Esperança (Moltmann)? Libertação (Gutierrez)? Encarnação (Ortodoxia Oriental)? Aliança (muitos calvinistas)? Cinco “fundamentos” (muitos conservadores americanos)? E o quanto a santidade, a justiça, a misericórdia, a fé, o amor, a graça, o louvor, o espírito, a paz, a alegria, a vida do corpo? O quanto ao evangelismo, adoração? Todos estes têm alguma reivindicação para serem chamadas de “coração do Evangelho” ou o “centro do cristianismo.” Ou por que não dizer simplesmente que “o Cristianismo é Cristo?”
Assim, somos inundados com “teologias da” isto e aquilo, cada um alegando que seu tema é o (até então negligenciado!) “O foco central” do cristianismo. Como é que vamos responder? Bem, esses projetos muitas vezes têm valor positivo. Eles podem ser esclarecedores para escolhermos um conceito bíblico ou de ensino e tentar ver o resto da Escritura à luz de tal ensinamento. Somos seres finitos e, portanto, não podemos ver toda a Bíblia de uma vez. É útil ter um “foco”, um ponto de partida, e muitos destes estudos proporcionam isso. Por outro lado, também existem perigos deste tipo de teologia: (1) Teologias organizada em torno de uma “doutrina central” muitas vezes ignoraram, falseiam ou mesmo atacam outras doutrinas bíblicas que julgam ser “periféricas”. (2) Eles freqüentemente dão a impressão de que seu foco em particular é o foco único motivo legítimo para a teologia, portanto, injustamente negando o valor de outras abordagens. (3) Tais propostas podem promover um absurdo arrogante: que os elementos mais importantes do cristianismo tem sido praticamente esquecido por dois mil anos, apenas foram recuperados pela genialidade dos estudiosos modernos.
Os grandes teólogos, como Agostinho, Tomás de Aquino, Lutero e Calvino, não procuraram organizar os seus sistemas em torno de um “doutrina particular central”.Em vez disso, eles procuraram expor uma complexidade (unificada) da escritura ensinnando-a como um todo. O resultado foi uma multilateralidade, uma amplitude e uma profundidade, raramente vistas no mundo moderno das “teologias disso e aquilo”.Talvez este tipo de realização possa ser atribuída somente aos gênios. O resto de nós, talvez, os teólogos comuns devemos nos contentar em encontrar uma “doutrina central” e escrever sobre ela. Mas se fizermos isso, seria prudente que nos lembremos que o cristianismo tem muitos centros, ou melhor, um (Cristo), que pode ser descrito a partir de uma ampla variedade de “perspectivas”. Cada “doutrina central”, então, é um “ângulo” certo de que todo o ensinamento da Escritura pode ser vista. Com essa visão “perspectivista” da questão, podemos promover uma “doutrina central” sem diminuir as outras e sem reduzir a riqueza do evangelho de Cristo.
Fonte: iProdigo – um dos melhores sites de conteúdo cristão de todas as galáxias!!!
Não há indignação sem conscientização!
por Cristiano Machado
Você que entende um pouquinho de música, igual a mim (e coloque POUQUINHO nisso), vai entender o que esse cara tá fazendo… Basicamente, muda a melodia quando acha um trecho do hino que se encaixe em outra música, sem agredir muito o ouvido de quem ouve, ou seja, faz com que você tenda a não ficar assustado com a mudança e só percebe o acontecido depois de algum tempo…
Esse pianista é muito bom, pois consegue fazer com que nossa atenção fique presa na manipulação do instrumento enquanto faz o que quer com a música. Realmente, o talento do cara é incontestável.
Sabe quando uma pessoa quer dizer uma coisa, dizendo outra? Num discurso quase jesuíta, tentando mudar o foco da sua atenção enquanto apresenta um belo discurso? Escolhendo cuidadosamente palavras que transmitam confiança ao interlocutor, enquanto o intelecto, maquiavelicamente, busca uma armadilha para o enredá-lo?
A Igreja evangélica Brasileira (só Brasileira?) tem se tornado um berçário de criaturas dessa estirpe, traduzindo tradições e costumes em atos proféticos para alcançar a Deus, traduzindo achismos e um compilado de impressões, na santa e verdadeira doutrina, trocando o trabalho de mártires da causa cristã, por um avião ou um carro importado, usando com a mesma maestria que este pianista, mas com um intuito completamente oposto, tentando travestir o evangelho da salvação em mero produto dedicado a consumidores evangélicos, sedentos por saciar sua fome e sede de just… não, sua fome e sede de CONQUISTA! Fazendo que a Noiva de Cristo, aquela que deveria ser imaculada, a cada novo dia receba mais um lencinho, mais um cajadinho, mais uma unçãozinha, sendo transformada numa colcha de retalhos espirituais, perdendo a característica de integralidade com a qual Jesus conta, para disseminarmos os valores do REINO em rebate aos valores deste século.
Mas a culpa não é apenas dos chacais “gospeis”, afinal de contas, estes “homens de deus” (isso mesmo, “d” minúsculo) não têm compromisso, senão com o próprio lucro ou com a satisfação da sua própria carne. Junto a estes, NOS COLOCO a culpa! Ovelhas que ao ouvirem qualquer barulho, não procuram saber se este é o chamado do pastor ou o uivo do lobo, e sem analisar qualquer medida de perigo, entram no covil achando que encontrarão calor e repouso. Diferente disso, encontram apenas um par de presas preparadas para tragar toda a vida que D’us lhes concedeu!
Cristão, você tem o direito de pensar! Não fosse assim, D’us não teria criado como somos: livres e individuais em nossas escolhas, mas nos teria feito replicantes uns dos outros, como alguns chacais querem que pensemos, ou melhor: que NÃO pensemos!
Espero que o vídeo tenha te feito bem, e que este texto lhe tenha feito algum mal. Afinal, não há revolução sem revolta. Não há revolta sem indignação. E não há indignação sem conscientização!
@o_cristiano é um crentasso, e é também o mais novo hóspede deste hospício que as pessoas insistem em chamar de blog.
O Falso Enterro do Outro Eu
Um conto de Gustavo Guilherme
Dia desses me olhei no espelho e vi um cara estranho. Era eu, envelhecido e surrado pelo sol de cada manhã; olheiras fundas e uma presente ausência de um sorriso não forçado, feliz e autêntico.
O cara estranho me aborrece. Ele sou eu fingindo ser outro alguém. Faz as coisas que eu não faço, come hambúrgueres congelados que viu em propagandas de TV, consome o mundo enquanto o mundo lhe consome, põe palavras ásperas na minha boca e admira telhados que não são meus. Ele é o cara que sai de casa, geralmente bem vestido e sem o meu costumeiro All Star de todo dia, vai até a padaria e compra coisas que não vai comer. É a sombra que me assombra, o devorador dos meus prazeres… o responsável por despedaçar as pétalas de cada sonho que construo e reconstruo em silêncio todas as noites.
Eu mesmo o criei, o outro eu. O moldei com minhas próprias mãos. Manipulei meu ódio e meus amores fúteis até formar aquele ser bizarro que me engoliu da alma o elmo que me protegia de mim mesmo.
Um dia acordei e o cara estranho estava morto no chão da sala. Com os miolos espalhados numa poça de sangue, o meu eu, algoz de mim mesmo, jazia podre diante de mim… ou será que o defundo era eu?
Corri até o quintal carregando-lhe o corpo, descansei-o num canto e cavei um buraco. Suór, poeira e sangue. Cansei e me joguei, só para ver se o “presunto” caberia no buraco que cavei.
Estranho… me senti confortável na cova e dormi por algumas horas.
Quando acordei, espantei-me por alguns intantes… mas o espando logo se foi: lá estava eu, de volta ao meu lugar, jogado ao chão daquela sala, ainda tão morto quanto sempre estive.
by @gustavogui
A Pelada
por Carlos Amorim
Era uma vez um grupo de crentes, todos membros da mesma igreja. Era uma turma entusiasmada, que costumava reunir-se dominicalmente, não para estudar a Bíblia, e sim, para disputar animadas peladas.
Não raramente, o pastor daquela congregação participava dos embates futebolísticos. Acontece que, quando o nobre pastor estava entre as quatro linhas, todos se esforçavam ao máximo para manter o decoro (como convém à um grupo de santos).
No entanto, em uma partida bastante disputada, um dos peladeiros mais habilidosos avançou com a bola dominada, da intermediária até a linha de fundo, e enquanto este esforçava-se para vencer o bloqueio adversário, outro irmãozinho tentava chamar sua atenção aos berros, pois subia livre pela lateral oposta. Contudo, o fominha não quis conversa, arriscou um segundo drible, e por isso, perdeu a posse da redonda para um dos defensores.
O irmãozinho, que já estava bastante agitado, perdeu as estribeiras de vez! Lá mesmo onde estava, parou e se agachou, socando o gramado e praguejando aos quatro ventos! Neste instante, as atenções voltaram-se para o pastor, pois todos esperavam que aquela ovelha destemperada fosse severamente repreendida! Todavia, para surpresa de todos, em vez de um cenho franzido, o que se viu no rosto do pastor foi um largo sorriso aberto! Daí, os queixos foram de vez ao chão quando perceberam que o pastor aplaudia, em aparente aprovação a atitude descontrolada do irmãozinho! Percebendo os olhares atônitos, o pastor, com a serenidade que lhe era peculiar, falou:
- “Que beleza! Demorou, mas finalmente apareceu um ser humano!”
Nesta pelada, foi o irmãozinho quem ficou pelado…
… Seria bom se a vida fosse uma grande pelada!
by @AmorimCoelho, o craque da camisa número 10!!!
Maquiando a Alma
por Karol
Todo mundo têm defeitos, é normal. Faz parte da natureza humana. No entanto, ninguém se sente à vontade ao mostrar seus defeitos… e é mais ou menos neste ponto que começamos a maquiar a nossa alma.
E quem de nós nunca se maquiou ou teve vontade de esconder aquele pequeno defeito? Não é fácil ser humano, lidar com os nossos limites e defeitos, principalmente nos momentos de amargura e solidão.
Iniciamos o processo preparando nossa alma para receber as camadas da maquiagem. Deixamo-nos expostos e vemos que nem nós mesmos nos conhecemos. O que tem está exposto é mais do que podemos compreender. Somos um ser que não sabe o que fazer, totalmente dependente de tudo e de todos, sedentos da necessidade de acreditar em algo – e então percebemos que, todas as vezes que nos maquiamos, o fazemos para nos esconder em nós mesmos, fugindo de nosso próprio olhar.
Começamos a maquiagem pela “base”, para tampar os buracos não cicatrizados, as amarguras que nos deixam secos, as dores que deixaram marcas, o ressentimento e o medo que não nos permite um novo amor, ou novas amizades.
Depois, passamos o “corretivo”, aquele que tem um “tom” (ou cor) diferente da “base”, só para corrigir os defeitos que muitas vezes são escuros e sombrios, defeitos que só você conhece e que te deixam sensível.
E então você pergunta: quem me conhece de verdade? Quem sabe o que aconteceu naquele dia? Quando chorei sozinho(a), alguém viu? Perdido entre perguntas e respostas incompletas, você percebe que não acabou. Você ainda não pode sair de casa assim.
Para deixar a alma bem “uniforme”, usamos o “pó”. Uma camada tão fina, que a menor lágrima deixará à mostra tudo o que tentamos esconder. Agora, não podemos mais chorar na presença de alguém.
Ainda não terminou. Falta algo para a maquiagem ficar completa: o batom ou blush, que dá um pouco de cor… Mas então, com os olhos fixos em nós mesmos, no reflexo do espelho, percebemos que não nos falta cor. O que nos falta é alegria. Nos falta o remédio para a nossa dor. Nos falta Jesus.
Karolzinha, além de blogueira eventual, é aspirante a maquiadora (com curso e tudo mais) e futura mamãe (com curso e tudo mais também).
Chutando a Santa 15 anos depois
por Zé Luis, o Cristão Confuso
Em 12 de outubro de 1995, dia em que se comemora o feriado católico de Nossa Senhora de Aparecida, transmitiram pela TV, em rede nacional, um pastor da Igreja Universal chutando uma imensa imagem de gesso, tida por católicos como sagrada. Tal transmissão desencadeou uma campanha anti-evangélica pela Igreja Católica, além de ser uma grande chance para uma emissora concorrente começar uma série de ataques a tal IURD, que crescia rapidamente e, em breve, adquiririam uma grande emissora de TV.
Muitos crentes foram ainda mais hostilizados por todo território nacional, e nada podiam responder sobre o ato insensato daquele pastor: Para um protestante, o homem só havia chutado uma enorme imagem de gesso, e jamais tocado na santidade da mãe de Jesus, que na Glória vive com Ele, não podendo habitar naquele objeto.
É pecado adorar qualquer coisa que não Deus, mas a obsessão por demonstrações de “fé autêntica” (talvez na ânsia de conseguir novos adeptos) gerou grande antipatia contra os crentes, além de fortalecer o esteriótipo do “cristão fundamentalista”, o “quebra-santo”, o “chato-radical”.
Os crentes estão certos: Idolatria é um pecado. O que importa não são os homens ofendidos com as imagens destruídas, mas o que Deus pensa sobre o assunto: isso contribui com o desvio do homem no Caminho que o leva ao Mestre. Mesmo assim, isso nos dá o direito de agredir o objeto adorado? Isso não pareceria uma tentativa de ofensa pessoal, já que os objetos – ditos – sagrados não tem peso algum para um cristão protestante? É como o ateu que xinga um deus que não existe para ele.
Hoje, quinze anos passados, a realidade é outra: existem tantos evangélicos não praticantes (ou nominais) como eram os católicos não praticantes (como eu fui, por exemplo).
Os idólatras inundam os templos evangélicos, não com imagens de santos, mas com tranqueiras judaizantes, tralha gospel e com semideuses deste universozinho chamado “gospel”, as “celebridades de Jesus”.
Aos poucos, deixamos o radicalismo da necessidade do uso de saias e cabelos incortáveis, e tornamo-nos mais brandos. Em compensação, precisamos de deuses ungidos que nos levem a catarses, homens com a unção que nos faça sentir, ao invés de compreender a Palavra.
Só quem enfrenta essa realidade idólatra sabe o quanto se é amaldiçoado: questionar a atitude tresloucada de certas lideranças evangélicas, cheias de esquisitices, misticismos, egocentrismos, distorções com propósitos pessoais (o que chamam de “visão”), não faz com que sejamos ouvidos, antes, que esses novos crentes nos lancem maldições e salamaleques dignos da Cuca do sítio do Pica-pau Amarelo, verdadeiras profecias baalistas.
Seus seguidores, gente que recebe a Cristo, mas abdica da liberdade de pensar, alienando-se da bíblia, defendendo essas celebridades como um time, partido político ou… um verdadeiro ídolo.
Lá, do altar onde foram colocados, ditam suas profecias, cantam suas pregações, explicam sua compreensão pessoal, sem serem questionados.
Apóstolos, bispos, cantores, pastores, pregadores, todos feitos objetos de idolatria pela mesma indústria que faz ídolos no lugar onde os adoradores abominam: o meio ímpio, pagão, secular.
Nesse mês, onde católicos se ajoelharão pelas ruas da cidade de Aparecida do Norte, pagando suas promessas, lembre-se de que, se você possue ídolos que dependem de sua defesa e ofertas, você não tem nada para ensinar. É apenas um adorador de ídolos tentando repreender outro.
Fonte: Genizah Virtual
Ministério da Investigação Gospel
por Leonardo Pereira
O Jogador (e evangélico) “Kaká” é o meu herói do mês.
Eu li uma notícia que me fez ver, através de uma atitude sábia do Kaká, que faltava alguma coisa no meio Gospel (ainda falta muita coisa, na verdade, mas a cristandade logo chega lá). Eu já tinha refletido sobre isso, mas falar agora e mostrar o vídeo que eu gravei antes de ver a notícia, iria parecer alguma coisa meio “fake”. No entanto, se alguém tiver interesse, eu coloco o vídeo no Youtube (é curto, mas existe).
Eu acho que falta um ministério (aplicando o conceito que a maioria das pessoas utiliza) de Investigação Gospel. Ééé! Com detetives mesmo! Vai me dizer que não está faltando profetas como os da Bíblia por aí, que falavam e as coisas aconteciam?
No caso do Kaká, ele investigou uma afirmação. Com ele, ou melhor, com a ideia dele, nossos problemas podem acabar… e não estou tentado ser sarcástico, nem irônico, talvez um pouco mais bem humorado do que o normal, mas vejamos o que ele fez:
“Kaká está pensando em deixar a Igreja Renascer em Cristo, segundo a coluna “Zapping” do jornal “Agora”. De acordo com a publicação, o jogador estaria descontente com a administração da igreja porque, há dois meses, uma parte do teto da sede da Renascer na Mooca (zona leste de São Paulo) teria caído sem deixar feridos. Kaká teria consultado um perito e constatado a negligência.
Em janeiro do ano passado, o teto de um templo no Cambuci (zona sul da capital paulista) também desabou, deixando nove mortos e 106 feridos.
A assessoria da Renascer negou o novo desabamento ao jornal e disse que o templo da Mooca passa apenas por reformas. A assessoria de Kaká afirmou à publicação que não tem autorização para tratar dos assuntos religiosos do jogador”. ( Fonte Gospel Gospel )
Será que só eu não vejo as coisas que a maioria dos profetas têm tentado adivinhar por ai?
@LeoPereira se candidata ao cargo de Capitão Nascimento do mundo gospel…
A Crise da Relevância
Lucas 15.1
por Jonas Madureira
É inegável que o cristianismo contemporâneo vive a crise da relevância. Os novos críticos do cristianismo não se cansam de dizer que o discurso dos cristãos cheira naftalina, é tão antiquado, fora de moda e irrelevante. Para ilustrar esse fato, lembro-me de que, há poucos dias, um colega da USP, sabendo que sou cristão, se aproximou de mim e, sem rodeios, perguntou-me: “Por que muitos evangélicos falam tão esquisito? Eles chamam uns aos outros de varão e varoa! Abusam dos arcaísmos! Usam expressões tão ultrapassadas que às vezes me sinto nos dias de Olavo Bilac!” Dureza, não?! Expliquei que muitas das versões bíblicas que as pessoas leem são muito antigas, e, por esse motivo, acabam trazendo o vocabulário delas para o dia a dia. “Que bizarro!”, disse meu colega. E incomodado com isso, perguntei: “Por que bizarro?”. Ele prontamente me respondeu: “Porque isso assusta qualquer um! É uma linguagem muito distante da realidade!”. Nessa hora, infelizmente, tive que concordar com ele. Nossa linguagem, às vezes, é tão descontextualizada que, em vez de atrair, assusta os publicanos e pecadores de nossos dias.
O que acho mais interessante no texto de Lucas 15 é o fato de que os publicanos e pecadores não se aproximaram de Jesus para pedir um milagre, uma bênção. Pelo contrário, se aproximaram dele só para ouvi-lo. Isso aconteceu porque a pregação de Jesus era empolgante, o Mestre era verdadeiramente relevante. Veja a bela imagem que Lucas nos oferece: o Filho de Deus, sentado à mesa com publicanos e pecadores, completamente atraídos pelo seu discurso. Ou seja, Lucas mostrou que Jesus era interessante não apenas por causa dos milagres que fazia, mas principalmente por causa de seu pensamento, de sua capacidade de ler o coração dos homens e de expor os desígnios de Deus, com ousadia, sabedoria e relevância.
Ouvindo algumas pregações aqui e acolá, em canais de TV e em igrejas, percebo que muitos dos discursos e pregações de nossos dias estão muito distantes de ser comparados às pregações empolgantes de Jesus. Acredito que uma das razões seja a nossa incapacidade de ler nosso tempo, agravada pela pobreza de nossa leitura dos desígnios de Deus, expressos nas Escrituras. Quando digo “ler nosso tempo”, digo “ler as pessoas de nossos dias”. Jesus entendia o homem de seu tempo como ninguém. Ele compreendia as questões que o homem de seu tempo fazia e, por isso, respondia de forma relevante aos publicanos e pecadores de seu tempo.
Em contrapartida, nossa leitura do varão hodierno — ops! do homem de hoje! — é vergonhosa. Não entendemos seus pensamentos, não entendemos suas questões. Às vezes, tenho a impressão de que a maioria de nós está falando para homens do século XIX, e não só com uma linguagem oitocentista, mas — o que é pior ainda — usando uma lógica e um tipo de reflexão e postura intelectual que é típico do universo espiritual oitocentista.
A verdade é que alguns sermões de hoje se tornam irrelevantes porque apenas respondem às perguntas que o homem do século XIX fazia. São sermões tão distantes do século XXI, que dão sono! Cá para nós, às vezes me pergunto se isso acontece por causa do delay de publicações das obras teológicas oitocentistas, que são publicadas hoje em dia como “grandes lançamentos do ano”. Sinceramente, não sei. O que sei é que, se queremos proclamar o reino de Deus para o nosso tempo, temos de nos livrar de nossas lentes oitocentistas. Precisamos ler o homem de nossos dias, com lentes apropriadas para o século XXI.
O homem de hoje é um homem sem transcendente, ou melhor, um homem deslumbrado com o imanente, que passa a ser tomado como se fosse transcendente. Em outras palavras, alguém que trocou a adoração a Deus pela veneração ao carro do ano, ao último modelo de celular, de notebook, de TV e por aí vai. Por isso, as megaigrejas estão tão cheias. E garanto que não é pela relevância do discurso, mas pela exploração da angústia do homem moderno. Este vai à igreja não mais para simplesmente adorar, mas para clamar a Deus por um carro novo, uma casa maior, mais dinheiro, mais sucesso, mais poder. A tara por essas bênçãos materiais mostra o quanto somos niilistas, vazios, sem um sentido ulterior para vida, que seja superior a tudo o que está preso ao tempo e ao espaço.
Não precisamos de sermões que alimentem nossa angústia niilista. Precisamos de sermões que nos conscientizem de nossa real situação. Sermões que revelem as novas faces de nossas depravações e desesperos. Sermões que sejam resultado de uma exegese bíblica cuidadosa e contextualizada, e, ao mesmo tempo, conscientes de que nossa inteligência e compreensão devem ser submetidas à luz do Espírito, o único que nos permite ver o Jesus supracultural, supratemporal, preexistente, Filho de Deus, Senhor do tempo, da história, da terra e do céu. Sermões que nos sirvam como espelhos para mostrar a face sofrida e angustiada de nosso coração, tão longe da busca pelo transcendente e tão entregue à busca exacerbada por bens transitórios. Só assim haverá conversão genuína, adoração verdadeira, pregação relevante. Só assim publicanos e pecadores de nosso tempo deixarão de se assustar com esse nosso esquisito jeito oitocentista de ser, e se aproximarão de nós para conhecer o Jesus do século XXI, que, paradoxalmente, em nada deve ser menos atraente do que o Jesus do século I.
Fonte: Blog do Autor
#WeekSong: “Isopor” – Colina de Malta
Colina de Malta já passou por aqui. Donos de um som competente, a banda esbanja qualidade tanto na melodia quanto nas belíssimas composições. O rock alternativo dessa galera não é do tipo que se ouve todo dia, é raridade, principalmente no meio cristão, onde tudo que se produz parece sempre “mais do mesmo”.
Com vocês, Colina de Malta mais uma vez na #WeekSong mandando bem com a canção “Isopor”:
Ela mora numa casa toda branca
mas é feita de isopor
Ela tem uma família tão bonita
mas são todos de isopor
Ela acorda todo dia de manhã
e vai pra uma escola de isopor
se encontrar com seus amigos tão felizes,
com sorrisos de isopor
Será que ninguém falou pra ela
que o sol é mais bonito do outro lado da montanha?
Ah, ela precisa saber que existe
uma vida real, que não é feita de isopor!
Acesse o site oficial da banda Colina de Malta.































